silence. 2009

sexta-feira, dezembro 26, 2008

há pouco tempo comentava noutro blog em que se perguntava "o que fazer das canções que associamos a determinados momentos" que as poderíamos (quando ouvi-las já não trouxesse qualquer tipo de sentimento incómodo) juntá-las à grande banda sonora que todos temos, de certeza, na nossa vida. depois de responder isso, reparei em como tinha "recuperado" para a minha playlist dessa altura dois temas que já não ouvia há alguns anos, mas que pareciam fazer algum sentido naquele momento.

[ I'm here, I'm real, it's true, I do exist ]

[ dann schenk mir diesen Tanz ]

a estes dois veio juntar-se um terceiro, que acaba por complementar o meu mood actual...

[ sin miedo, las manos se nos llenam de deseos]

fica aqui este post [e estas músicas, é clicar na imagem :)] a desejarem-vos, a todos, um 2009 como quiserem. mas definitivamente bom. é um conceito à partida estranho. deixar músicas de décadas passadas numa mensagem de ano novo. mas estas são um bocadinho de mim. e aos amigos costuma-se dar aquilo que consideramos mais valioso. de e para nós. não interpretem uma possível ausência até ao início de 2009 como desinteresse. estarei simplesmente a viver. offline. acompanhada por estas músicas. e outras que entretanto possam surgir ou não. às vezes também é preciso.

feliz.na.vida[d].

terça-feira, dezembro 23, 2008

e ... eis que este blog também adere à animação versão natalícia lançada pela thunderlady.

e só apareço aqui assim, porque a rapunzel diz que é a minha spitting image: um cachecol ou lenço, a máquina sempre por perto. e os livros (conheço pelo menos uma pessoa que acharia que o mundo estava a acabar se eu não tivesse um livro) perguntam vocês? lembram-se de falar não há muito tempo de embrulhos de cantos muito regulares que deixavam adivinhar o que continham? ah pois. hoje já recebi o primeiro. e inesperado. [thanks ;)].

se a imagem pudesse falar desejar-vos-ia felicidade. hoje, amanhã, no natal, no próximo ano. como não pode, desejo-vos eu por escrito :)

pre.liminares. (I)

abres a porta do restaurante para eu passar. afastas a cadeira ligeiramente, e voltas a encostá-la depois de me sentar. dás a volta à mesa e sentas-te à minha frente olhando-me pela primeira vez nos olhos. a ementa treme-te ligeiramente nas mãos (não sou só eu que estou nervosa?), mas quando me perguntas o que quero e fazes o pedido ao empregado já pareces seguro de ti como sempre. enquanto a comida não vem falamos daquilo que na brincadeira já tínhamos alinhavado como temas de conversa. trabalho. tempo. rubores. eu que sou mais calada fico por momentos quieta (eu não te avisei que isso poderia acontecer?) e tu fazes o que prometeste: ficas a olhar-me tempos infindos, até que não consigo senão soltar uma gargalhada e atirar-te com o guardanapo. sim, acho que foi uma boa maneira de quebrar o gelo...

im.paciências.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

o avião galga os últimos metros até à porta 71. ponto de paragem. ainda antes do aviso do comandante já os passageiros impacientes desapertam os cintos e abrem os compartimentos superiores. só o do lugar 20 C espera. que todos saiam. levanta-se ao ralenti. põe a mala do computador ao ombro e sai, despedindo-se das hospedeiras. uma breve olhadela ao ecrã. dirige-se à banda 3 para levantar a sua mala. pausa. longa. ainda demora muito? pergunta um menino dos seus 8 anos. deve estar aí a aparecer, diz a mãe, um tique nervoso no olhar. um, dois soluços e a bagagem começa a surgir. o passageiro do lugar 20 C encosta-se a um pilar e traça uma perna sobre a outra. mala a mala vão desaparecendo as pessoas pelo corredor. surge a sua. sem movimentos bruscos, pega-lhe e começa a rolar lentamente para a saída. as portas opacas abrem-se. olha brevemente, vira à esquerda, pára. em câmara lenta pousa a pasta do computador no chão, larga a mala. e desagua todo o nervosismo, toda a impaciência, toda a ansiedade, toda a espera, todos os longos minutos de todos os longos anos. num abraço forte.

my boys and girls.


1. os vossos pézinhos já cresceram. passaram poucos meses, mas os vossos abraços já subiram um palmo em mim. tinha saudades vossas, boys e girls, tinha tantas saudades vossas.
2. sim, mariana [num abraço daqueles teus apertados] também eu queria, minha querida, também eu queria tanto.
3. claro que me lembro do teu nome, íris. a menina mais ciosa do acento no sítio certo do seu nome que conheci [a seguir a mim, claro :)].
4. tu deixavas-nos ligar-te e desligar-te. oh bea, quem te ouvir dizer isto...
5. continuas o mesmo, menino dos olhos cor do céu, continuas o mesmo.
6. andré, só te queria dizer que tenho a tua foto no fundo do meu computador do trabalho. fazes-me sorrir sempre que o ligo.
7. nenhum de vocês vai ler isto. mas sei que sabem que gosto muito de vocês.
8. obrigada, meninos. obrigada a todos.
9. [agora deixem-me só ir ali buscar um kleenex].

dú.vida. (I)

terça-feira, dezembro 16, 2008

porque é que as palavras que mais se nos entranham não são as que esperamos ouvir de um determinado alguém mas sim as que, vindas de nenhures, nos surpreendem e deixam sem reacção?

[intermezzo] (V)

1. chego à aula do 1º ano e aviso-os logo de entrada com o ar menos sofredor que consigo..."vocês lembram-se da semana passada em que estavam quase todos doentes? pois bem, hoje é a minha cabeça que está deste tamanho [abro os braços a tal distância um do outro que não chega sequer para demonstrar 10% do som do martelo pneumático a ecoar cá dentro mas que os põe a todos de boca aberta e olhos arregalados]. logo queria pedir-vos se hoje conseguimos treinar a música de Christmas e fazer a ficha o mais baixinho possível." e ao mínimo som de um deles, virava-se um colega, "shiiiiuuu, olha a cabeça da teacher". isso e os beijinhos que o terrorista do Ricardo, a Beatriz e a Bruna me fizeram questão de vir dar mal acabei de falar salvaram-me a aula. e a Tânia a ir dizer no intervalo aos meninos do 4º ano, "falem baixinho que a teacher tem a cabeça muito grande hoje" também ajudou a salvar o dia. conseguem ser uns diabinhos quando querem, mas you gotta love them sometimes.

[intermezzo] (IV)

segunda-feira, dezembro 15, 2008

1. será que levo tudo muito a peito ou tenho demasiadas coisas no coração?

(background song... something in my heart goes pip, pip, pip....)

futil.idades

dizes que tens de começar a ter cuidado quando me perguntas detalhes sobre determinada situação do dia anterior e eu te respondo com uma fiel descrição da apresentação de x e das palavras comprometedoras de y mas surpreendes-me ao dizeres com toda a convicção que gosto de castanho, de cachecóis e que o meu verniz na quarta-feira tinha uma falha na unha do indicador da mão direita. e eu que sempre pensei que os homens não reparassem tanto nisso, mas à cautela mantive o dedo bem escondido na manga do casaco, just in case. estando habituada a ser a parte observadora de qualquer diálogo sinto-me por momentos debaixo de um microscópio. tenho de ter cuidado, sou eu que penso desta vez. acabas a conversa a fazer-me confidências as quais esperas que se mantenham secretas e dizes que só as fazes porque confias em mim. coro e agradeço-te a confiança. mas só consigo pensar que tenho de ter as unhas bem pintadas da próxima vez que estiver contigo.

sauda.de.

quinta-feira, dezembro 11, 2008


saudade
< Lat. solitate, com influência de saudar
s. f., lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir; nostalgia.






acho que sempre tive saudades tuas.
mesmo quando não me lembrava de ti.

quando era natal.

quando era pequena íamos buscar musgo para fazer o presépio. era tarefa nossa, minha e tua. uma folha grande de papel pardo a proteger a alcatifa. camadas irregulares a desenhar vales e colinas. da prateleira mais alta do armário retirávamos caixas de linha âncora 6 branca presas com fita cola. com cuidado desembrulhávamos os restos de jornal e colocávamos as figuras em fila indiana. uma sem cabeça, outra sem cajado, dois reis magos inteiros e um estropiado, apesar da cautela do ano anterior. ali ficavam todas, silenciosas, à espera da guia de marcha para uma ou outra encosta. o estábulo. a estrela. um fio de luzes coloridas a serpentear à volta. a árvore já era tarefa só minha. tanto decorá-la como comer às escondidas os chocolates que lá eram pendurados por outras mãos. e voltar a dar forma (oca) à prata dos sinos e das pinhas. para que ninguém reparasse. quando era pequena do que eu mais gostava era do final da tarde do dia 24. as vossas vozes na cozinha, as vossas mãos a preparar a ceia. os cheiros que ainda hoje me gritam natal em qualquer período do ano. as luzes da sala apagadas. e eu, sentada ao lado da árvore e do presépio. fascinada com as cores. e o escuro. as cores. e o escuro. e as cores. e o escuro. e as vossas vozes. e as cores. e os cheiros. e tudo. acho que neste natal não consigo voltar a ser pequena. [e o escuro.]



há pequenos sons.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

respondendo ao desafio deste gajo, que me convidava a agarrar no livro mais próximo, abri-lo na página 161 e copiar para o blog a quinta frase completa ... ao quinto livro aberto lê-se:

Há pequenos sons que assentam sobre o silêncio.

[José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos]


e de tanto escrever sobre silêncio, pausas, momentos, palavras, sons...acho que não poderia ter "surgido" melhor frase para este desafio.


somos.

abro o livro que trago na mala numa página a três quartos da capa e leio algo sobre as certezas de sabermos quem somos na madrugada que construímos. com as nossas mãos e os silêncios entre as nossas palavras. e penso em todos os momentos em que me fiz depender das palavras de outrem. nas esperas por aquelas que só surgiam em momentos de fragilidade alheia. nos excessos de zelo que tornaram outras banais. nos silêncios gastos por tanta inquietude. nas mãos [o que mais recordo das pessoas que se cruzam comigo são as mãos. gosto de mãos. do que fazem. mais ainda do que poderiam fazer se cumprissem as promessas que trazem em si. ] que deixaram as minhas vazias. não dando nada. nem o seu calor. neste segundo em que me perco pela janela e sinto, mais do que vejo, o cair da noite sobre o caminho, penso em todas as palavras que não me foram ditas senão a custo ou repetidas até à exaustão. nos silêncios que a ausência delas poluiu. nas mãos repletas de toques sempre rasgados. e sei que não iremos ter pressa. nem medo. eu e tu. de pronunciar as palavras na altura certa. sejam quais forem as correctas para nós e seja o momento a estação que tiver de ser. porque nas nossas mãos (embora vazias) correm os gestos de que sabemos ser capazes. porque os nossos silêncios nunca serão ausentes de sentido nas madrugadas. porque tu e eu somos feitos de todas as pessoas que sentimos. de todas as que vivemos. e temos ambos consciência disso.



nas linhas. a teus pés.

quinta-feira, dezembro 04, 2008


saltas, balanças, fazes bailar os teus pés entre claro e escuro. a tua vida tem sido provavel e agradavelmente linear, sem as curvas bruscas ou inclinações acentuadas que marcam estações de dor. brincas com a geometria da vida, sem te deteres por mais tempo do que o necessário em qualquer dos seus momentos. aprendeste bem cedo a imprescindível arte do equilíbrio. parabéns, miúdo! o futuro? está à tua frente, desculpa não to poder mostrar... mas desejo que continues sempre assim. que os pretos nunca sejam demasiado escuros e os brancos não te encadeiem demais. não queremos que percas o teu percurso de vista não é? obrigada por este momento :)

[Dortmund, 17.06.2005]

as palavras. (V)

pedes desculpa por usar sempre as mesmas palavras para falar comigo. e eu nem te confesso que de cada vez que te ouço a mais simples delas me (des)faço em sorrisos.

sim(ples).

quarta-feira, dezembro 03, 2008

bilhetinho apanhado este ano.


1. menina ... elegante, elegante. [vai lá escrever umas 15 vezes no caderno].
2. para fazer (n)amor(o) ainda és muito nova.
3. se isto já vai assim agora, como será quando chegar a Primavera?
4. [*suspiro*].


e um do ano passado.


rui, gosto de ti por amor.
queres namorar comigo?

sim [ ] não [ ]



1. pergunta que se impõe ... a partir de que idade é que começamos a complicar as coisas?

diálogo. (VI)

terça-feira, dezembro 02, 2008

  • a amiga: e por falar nisso, já falaste com ele?
  • ela: não. mas também não quero. está mais do que na hora de virar essa página de vez.
  • a amiga: ainda está aberta?
  • ela: hum ... está com uma beira dobrada.

[soube tão bem fazer uma leitura a dois corações das páginas, dos capítulos e dos livros das nossas vidas. dos que lemos num ápice. daqueles em que nos perdemos. dos que se perderam em nós. (e daqueles que querem ser lidos). temos de pôr assim a leitura em dia mais vezes. ]

anda morder-me. o coração.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

do lado oposto da sala, fitas com interesse um ponto ligeiramente acima do meu ombro esquerdo. [os teus olhos acariciam o contorno de um pescoço, de um colo emoldurado a preto e branco].

do lado oposto da sala fechas o livro que tens na mão, pousa-lo com cuidado no braço do sofá. [algumas palavras ficam agarradas. levar-te. aos dedos. à boca.]

do lado oposto da sala cruzas a perna direita por cima da esquerda com ar indolente. [retesam-se os músculos das tuas coxas. todas as tuas terminações nervosas em alerta]

do lado oposto da sala fixas o teu olhar ocioso nos meus dedos nervosos. [e esticas os teus devagar, para deles disfarçar a inquietude]


do lado oposto da sala dizes anda, anda morder-me o coração.

e o outro lado da sala oposto ficou. de repente. no lado oposto. da sala.



(a frase anda, anda morder-me o coração lida em Morder-te o coração, de Patrícia Reis.)