as palavras. (VII)

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

sozinha no [meu] sossego do quarto sinto as palavras a redemoinhar à minha volta. vou-as apanhando uma a uma, aconchegando-as em ramalhetes simples, o mais simples possível. chamam-me da sala, onde as palavras dos outros me fazem, por momentos, esquecer a ordem das minhas. pego na caneta e só consigo escrever [vazio]. ponho as minhas coisas debaixo do braço e a meio do corredor já as sinto [às palavras], em pézinhos de lã, a voltarem comigo [para mim].

so[r]riso.


pode ser da alegria que tenho visto na cara dos miúdos, entusiasmados com os fatos de carnaval. pode ser pelo retorno do sol que levanta a moral logo ao acordar. pode ser pelas nette Besuche por aqui. pode ser por me lembrar das figuras que fizemos na sessão fotográfica deste dia. pode ser por achar que algumas amigas estão a precisar de um olá. apeteceu-me sorrir[-lhes] :)

f(r)ase.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

largava tudo pelas tuas mãos. e pela macieza das tuas costas.

[2001]

(a) caminho.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

posso não conseguir carregar contigo aos ombros porque és maior do que eu e nem ao David pediram para andar com o Golias às costas. agora como diz ali o Boss, se ficares para trás acredita que desacelero para me conseguires alcançar. em troca só espero que nessa tua pressa de chegares sempre a algum lado repares se não tropecei numa raíz mais saliente e me ajudes a levantar. sabes que ao contrário de ti trouxe para este percurso todos os mapas que tinha no baú. os dos caminhos já percorridos e os dos caminhos a evitar [cujos trilhos de certo modo se sobrepõem]. e as indicações meio confusas do território ainda não marcado. e por ser uma pessoa previdente [e se o que nos interessa é, além do destino, a viagem] muni-me de duas bússolas. uma vem na mala, a indicar o ponto de chegada. a outra [que vai mostrando o melhor rumo] guardei bem juntinho do coração. é do equilibrio das duas que vou escolhendo o percurso. não te admires se por vezes só te disser "direita" ou "esquerda". é porque o caminho é fácil e não é preciso complicar as indicações. e temos de nos entrosar como equipa. haverá decerto partes mais complicadas em que precisaremos de estar mais atentos. e vermos com calma onde pomos os pés.

sim(ples). (II)

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

começas por usar frases grandiloquentes repletas de lugares-comuns para me convencer de que sim tens uma predilecção especial pela minha companhia. keep it simple, digo-te eu. se demoras mais do que um minuto a explicar que gostas do calor do sol na tua pele quando tiveres acabado de falar já ele arrefeceu. uma noite seguras-me na mão e dizes-me quase num sussurro: sinto-me bem a teu lado. e o mais simples que consigo é responder-te com um sorriso.

eu.aleatoriamente.

como dizia à M., depois dos pecados capitais, vêm os pecadilhos. e os desafios têm vindo ultimamente da rua dela...

... ora bem, seis factos aleatórios sobre a minha pessoa ...
  • não tenho sapatos. [tenho calçado de toda a espécie. mas detesto sapatos.]
  • não sei conduzir devagar. [também não ajuda andar sempre cheia de pressa.]
  • quero fazer uma tatuagem. [mas só quando achar a ideal.]
  • quando observada coro. [como se não houvesse amanhã.]
  • adoro decompor palavras. [e recompô-las à minha maneira.]
  • estou sempre atenta e tenho uma óptima memória. [anything you say may be used... :)]

memory lane.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

saímos assim para o frio da noite. antes de qualquer outro movimento abotoo a gabardine até ao queixo e faço uma dobra complicada no lenço por cima dela. puxo-te o fecho do casaco até cima enquanto ajeitas melhor o teu cachecol. ficamos parados por uns segundos até que me decido. vem comigo. vou mostrar-te a minha infância. no silêncio do escuro só se ouvem os meus passos pelas ruas que conheço há mais dias do que os que já vivi. e tu a meu lado pé com pé, mão com mão. a noite entra-nos em humidade pelos poros. e nós diluimo-nos nela em baforadas de ar quente. virar à esquerda. à esquerda. depois à direita. os paralelos da entrada da rua sempre saídos. já é feitio. da esquina aponto-te aquela casa grande. as portas cor de morango maduro. e como se intuísses algo moves-me dois milímetros para mais perto de ti. em dez passadas estamos lá. digo-te que deixei uma parte de mim naquela casa. num certo dia de um certo mês de um certo ano. aponto para as duas janelas mais próximas de nós. a sala. e vejo os vidros embaciados. como se houvesse vida lá dentro. ou a casa respirasse por si. rodo um bocadinho para a direita e digo baixinho [ainda não sei como conseguiste ouvir] ali é o pátio. e no silêncio da rua ia jurar ter ouvido um clac. o trinco. um rrrrrr. a abrir devagarinho. e sinto que me abandonam as palavras. olho de uma ponta à outra da rua. uma eternidade num segundo. e de novo em frente. e sinto as palavras a afastarem-se cada vez mais. respiro fundo. e tu abraças-me mais forte. viro os meus passos para o início da rua. e tu demoras por uns segundos os teus, silenciosos. a tentar perceber se tinha ficado mais um bocadinho de mim naquela casa. ou se tinha vindo mais um bocadinho dela em mim.


- faz hoje 5 meses, vó. e nunca vou deixar de ter saudades tuas.
- thank you for being there with me, in this stroll down memory lane.