os livros são (de) todos os dias.

quinta-feira, abril 23, 2009

passo os olhos pelas minhas estantes e contemplo volumes da minha biografia. é isso que os livros também são. para mim. o Pêndulo de Foucault foi recomendado pela professora de Português do 12ºano, altura em que devorei Os Maias de um trago e coloquei o Memorial do Convento na prateleira [até hoje]. já desisti por duas vezes do Absolom, Absolom, uma das obras de "Literatura Inglesa III", que ainda pertence aos meus 1990's. os volumes da Agatha Christie trazem nas suas páginas cheiro a mar, sol e grãozinhos de areia, dos dias na praia em anos de juventude.

passo os olhos pelas minhas estantes e encontro pedacinhos de mim em cada um deles.

mesmo naqueles que ainda não abri.

titulando.

a flier desafiou-me. e eu gosto de desafios :)

então é suposto "escrever uma frase, citar um título ou contar uma historinha sobre seis assuntos nos seguintes segmentos"... sendo hoje o dia do livro, um título que por aqui ande para cada item...

VIDA
"vai aonde te leva o coração". porque se não for com [o] coração, o que vale a vida?
CINEMA
"selected tales". gosto de filmes que me envolvam. que me virem do avesso. que me dêem um murro no estômago. sou selectiva :) [ou picuinhas]
LITERATURA
"a história interminável". uma citação deste livro que resume a minha paixão pela literatura: "todas as verdadeiras histórias são uma história interminável [...] há muitas portas para Fantasia, meu rapaz. há muitos outros livros mágicos." não há magia como ler. não há...
VIAGEM
"a volta ao mundo em 80 dias". se tivesse 80 dias e o euro-milhões...:)
AMOR
"persuasion". porque foi o primeiro passo. depois veio a confirmação.
SEXO
"olhos nos olhos". pele na pele. língua com língua.

conforto.

quarta-feira, abril 01, 2009

abro um dos livros que volto a trazer na carteira e dele cai uma folha para o chão. no topo esquerdo está escrito "sentimos o silêncio. e não nos incomoda...". e lembro-me pelas reticências que queria ter escrito mais. que queria ter explicado como o silêncio não intimida. não fica retido entre nós como um fantasma. que as palavras não são contidas. transpiramo-las naturalmente como gotas de suor. que por isso a sua ausência não é pesada. inspiramos e expiramos [n]as pausas delas.

despimo-nos de tudo. de segundas intenções. de temores. de máscaras. despimo-nos [um ao outro] pelas palavras.

e até quando nos despimos delas não nos sentimos nus.