as palavras. (VII)

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

sozinha no [meu] sossego do quarto sinto as palavras a redemoinhar à minha volta. vou-as apanhando uma a uma, aconchegando-as em ramalhetes simples, o mais simples possível. chamam-me da sala, onde as palavras dos outros me fazem, por momentos, esquecer a ordem das minhas. pego na caneta e só consigo escrever [vazio]. ponho as minhas coisas debaixo do braço e a meio do corredor já as sinto [às palavras], em pézinhos de lã, a voltarem comigo [para mim].

17 comentários:

Um gajo qualquer... disse...

Passo por aqui e leio o que escreves, vou para comentar e fico de mãos vazias... Nada me ocorre escrever, pois o calibre das tuas palavras é demasiado poderoso.

Vou-me cingir à leitura...

:)

M disse...

As palavras, em mim, andam à procura de uma saída. E devem ser os olhos, porque quando, farta do turbilhão, pego numa caneta ou me sento à frente do PC... Sai-me quase nada...

acoldzero disse...

ja perdi a conta às vezes que usei esta deixa como comentario num blog de alguem. desta feita calha-te a ti.

- havia um spot publicitario a um programa de radio com uma voz masculina muito forte e pausada , em que o senhor dizia então: "..Palavras... leva-as o vento........" .

Esta semana comprei o segundo livro do Miguel-Manso. "quando escreve descalça-se". Chegaste a ler? tinhas-me dito que talvez fosse a tua leitura de abertura do novo ano, mas axo k nunca mais falámos disso. o que achaste? conta-me tudo!!! :)

Paulo T Pires disse...

as palavras têm vida própria, e por vezes juntam-se para criar textos fantásticos...

maria disse...

enche as mãos. de rebuçados.

Tchi disse...

E que bem que elas - as palavras - se devem sentir, por ti, abrigadas, mesmo quando testemunhá-las implica escrever: «vazio».

Imaculada disse...

As palavras nada podem se dentro de ti ainda não as encontraste. É por isso que na dor, no desespero, na raiva e na escuridão, só algum tempo depois se consegue escrever. Porque é preciso um silêncio interior, onde as palavras nos gritem. Mas tu sabes disso, claro.

Brida disse...

@gajo
as minhas palavras até coraram :) comentes ou não, vai passando de vez em quando. és sempre bem-vindo, já sabes :)

@M
quando elas andam à procura de saída é bom sinal. é porque (nos) queremos dizer algo. de que modo for :)

@gonçalo
leva-as o vento. mas não fica sempre um bocadinho delas em nós? :)
adorei. tiveram a simpatia de mo enviar da Trama cá para o centro. mal chegou devorei-o e não ficou migalha, nem para as formigas de Odeceixe :) o primeiro é que parece que não há modo :S

@Paulo
eu também acho que sim. elas têm vida(s) própria(s) :) nós só nos apropriamos delas por bocadinhos :)

@maria
hoje foi de areia da praia :) amanhã tento os rebuçados. bem-vinda por estas mãos :)

@tchi
se elas pudessem falar...:) mas acho que sim, tento tratá-las, pelo menos, o melhor que sei.

@Imaculada
sei :) já tive alguns momentos em que elas me gritaram tudo aquilo que sabia dever fazer/ser, mas do qual nunca me tinha apercebido...

acoldzero disse...

leva-as o vento. mas fica aquele arrepio na pele da brisa que passa e se faz sentir.

o primeiro já esgotou e vai ser mais dificil de arranjar. pode ser que tenhas sorte e haja reedição. fica aqui, nao sei se viste: http://2.bp.blogspot.com/_Jin61udD1xM/SYJFSfF4CDI/AAAAAAAADSM/pDS693K_91Y/s1600-h/manso.jpg

MS disse...

no vazio não há palavras a caminhar atrás de nós!

Anónimo disse...

retorno ao silêncio. fechar-se por dentro de um lugar. de onde não se regressa sem nada. pôr as mãos nos bolsos. assobiar. olhar a rua. as pessoas. sobrevoar as janelas. altas. e escutar. os passos lentos.

um abraço.

João
osdiasdasnoites

Rapunzel disse...

olha minha querida Amiga, eu subscrevo o que o meu querido Amigo Gajo diz... às vezes não dá para se comentar o que escreves... só ler, sentir e pensar!

Beijinhos

Marta Pragosa disse...

Definitivamente, um blog que vou explorar e explorar...
Gosto mesmo do que escreve(s). :)

Nandita disse...

saudades das tuas palavras...

Joana Éme. disse...

mágico :)

Mrs.Dalloway disse...

Eu perdi as minhas (palavras) tantas vezes, que já nem sei se sou eu que te escrevo agora, ou a vizinha do lado que adormece sempre tarde.

Contudo, sabe-me bem ler as tuas.

*

Brida disse...

@gonçalo

andou uma ventania aqui pra estes lados :)
ainda não tinha visto, obrigada pelo link :=
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@MS
o vazio sinto-o mais quando elas me deixam :)
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@joão
retornas(te) do silêncio :) ainda bem.
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@Rapunzel
e quem precisa de comentar? :) o mais importante é saber que (te) sentes :) obrigada. por tudo.
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@Marta
sê bem-vinda :) e pára pelo meu cantinho sempre que quiseres :))

@Nandita
também eu, menina, também eu :))
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@Joana
bem-vinda :) as palavras conseguem ser mágicas sim :)

@Mrs. Dalloway
eu perdi as minhas agora pelo que me pareceram tempos infindos. nem sabes a alegria com que as recebi de volta. mesmo se aos soluços e com passos inseguros.
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Obrigada a todos :))