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A mostrar mensagens de novembro, 2008

hoje.

estive para deixar passar o dia de hoje sem palavras (minhas). mas não resisti a alinhavar um balanço. sim, admito. tive medo deste número. 30 é demasiado redondinho para não assustar. mas chego a este ponto e confesso que gosto (mesmo) de quem (me) vejo. lembro-me deste dia há dez anos atrás. de onde estava, das pessoas que estavam comigo. restam-me duas (erinnert ihr euch, c. und l.?) que mais de perto ou mais de longe me foram acompanhando. gosto muito (gosto cada vez mais) de vos ter na minha vida. e o facto é que, desde então... tive professores fantásticos e alunos inesquecíveis. amei e fui amada. sofri e fiz sofrer. parti e vi partir. vivi em partes quase iguais em dois países. cresci em cada um deles. de formas diferentes. em línguas diferentes. descobri o prazer de fotografar. que sei que ficará para sempre comigo. li vidas e vivi histórias que davam livros. conheci pessoas extraordinárias. que acreditam no vento e no imprevisível. que sentem as palavras como eu as sinto. que...

trilog.ia.

e lá vai começar o meu mundo. guten morgen! novamente. again. a desenrolar-se em três línguas diferentes. numa cadência regular. 3 to 5 times a week. qualquer dia preciso. good afternoon. de um dicionário. wörterbuch. para me entender a mim própria. be quiet. a sorte é que. eins zwei drei. no meio disto tudo. sit down. há-de haver sempre alguém que me entenda. gute nacht.

pecado.

alimentavam-se das histórias alheias, do que supunham adivinhar num olhar, num gesto. escrevi eu por aqui um dia destes. dei-te isto a ler. o desafio velado. esquadrinhas bem alguém. de certeza. pelo que diz. ou faz. o desafio directo. então lê-me. o que viste tu nas linhas do meu rosto hoje? (d)escrevi-te. isto. e isto. e mais aquilo. e talvez isto. assustador, disseste tu. assustador? sim. certo. e certo. e certo. e reparas na mais pequena palavra. é a vantagem, de se ser uma boa ouvinte, respondi eu. (ou uma falante tímida, esqueci-me de acrescentar). então tenho de ter muito cuidado com o que digo. não precisas, respondi. eu não sou má pessoa. [mas não te confessei. o meu maior pecado. que é sorver(-te) as palavras. e surripiá-las para aqui].

branduras.

eu calo. tu calas. nas pausas falam(-nos) os brandos gestos.

(problema de) expressão.

[sabias que]. naquele tempo a tua voz tinha um tom difuso. as palavras eram algo trocistas. como se não fossem suficientemente claras. para o que querias dizer de ti. nos silêncios sempre te ouvi melhor. nos silêncios a língua que não falávamos era nossa. [sabes que]. hoje a tua voz arrisca novos sons. numa língua (tão tua) e noutra (só minha). entre as tuas palavras que entretanto aprendi. e as minhas que agora, cada vez mais, recordas. deixemos as línguas falar no silêncio por nós.

coração.

.... seguindo o teu raciocínio de como a língua portuguesa funciona, coração seria máquina de amar .... [...faz sentido. quando lhe pomos pouco amor é um desperdício de energia, quando lhe metemos amor a mais é uma sobrecarga...]

sonho.

e pronto, quando um gajo qualquer nos desafia até parece mal não responder. vou-me limitar a escrever a lista de oito coisas de sonho. quem quiser, sinta-se convidado a fazer o mesmo. sonho (não há ordem nos sonhos)... 1. ver as pessoas que estão no meu coração felizes e saudáveis. 2. ter uma casa com uma "biblioteca". um espaço para os meus livros. um sofá confortável. 3. viajar. à Irlanda (viagem prometida há muito, nee sis'?). ao resto da Europa que ainda não conheço. daí à conquista do mundo. gastar a bateria da máquina a fotografar. e os cadernos a registar memórias e impressões. 4. ser feliz. por mim. encontrar a pessoa que me fará mais feliz. por partilhar a sua vida comigo. e a quem farei feliz. por estar a seu lado. 5. ter um trabalho que me realize e desafie. ok, se calhar, o meu :) mas que seja estável. 6. morar perto do mar. ou ter pelo menos uma casita por lá :) 7. continuar a ter a amizade das pessoas que estão "aqui" para os sorrisos, as palha...

[intermezzo] (III)

1. é inevitável. não há sábado de manhã sem sol. a janela aberta de par em par. 2. nem sem estes senhores . em repeat mode por aqui. well it's been a long time, long time now since I've seen you smile. and I'll gamble away my fright. and I'll gamble away my time. and in a year, a year or so, this will slip into the sea . 3. imagens em directo da neve europeia. palavras do calor do hemisfério sul. é bom ter amigos espalhados pelo mundo. à distância de um click. 4. day one. de uma nova morada. minha.

same time. same place.

passavam a hora de almoço assim, sentadas naqueles degraus. já todos os amigos sabiam onde encontrá-las. 5 dias por semana. same time, same place. preferiam mordiscar maçãs a ir almoçar com os outros. para melhor observarem as pessoas. alimentavam-se das histórias alheias, do que supunham adivinhar num olhar, num gesto. e aquele? combinou com os amigos. mas tem medo que eles não esperem, é sempre o primeiro a chegar. por isso caminha assim, como se receasse que tudo, incluindo os passos que dá, lhe fujam. aquela loira de azul, ali no meio do grupo, tem um fraquinho pelo rapaz de vermelho. mas se o de castanho a abraça... sim, mas repara que quando o de vermelho fala, o olhar dela parece corar e desvia-se para as mãos dele. .. levavam sempre um livro na mochila. abriam-no solenemente, após a primeira trincadela na maçã. duas páginas (ou dois parágrafos depois) uma dizia algo e os olhos da outra fugiam das palavras. pousavam os livros no colo. semi-abertos, com um dedo a marcar a pági...

haja silêncios.

haja silêncios como houve hoje luz dourada. aquecia o vento que não se sabia em novembro. fechei os olhos e só havia o calor. da luz. no meu rosto. disseste já não te lembrar de como era belo. o mar. o céu. o sul. e o silêncio [o teu ao ver a praia. e o da praia ao não te sentir ali.]

quando eras pequena.

quando eras pequena trepavas para o ramo mais próximo da nespereira e dependuravas-te sobre o muro alto, num desiquilíbrio ameaçador. mas sorrias. nessa idade os fascínios superam os medos. lembro-me de ti sempre a sorrir, o cabelo liso, as faces sempre coradas das correrias, as batas sempre sujas das brincadeiras. contavas-me que gostavas de andar no baloiço, porque ao subir, cada vez mais alto, com cada vez mais balanço, te sentias chegar mais perto do teu avô. que diziam velava por ti como um anjo no céu. andavas sempre de volta das papoilas, encantava-te o vermelho rubro delas, mordiscavas o caule durante horas. quando eras pequena deixaste de dormir à tarde como as outras crianças. não conseguias, simplesmente. não sei se tinhas medo que não te fossem buscar ou se te confundia nessa altura já o dormir enquanto ainda havia luz. de noite os sonos são mais calmos, dizias-me com a certeza dos teus 4 anos. quando eras pequena pintavas malmequeres com os dedos mas fazias questão de assi...

chave.

procuro a chave do baú pelas gavetas da escrivaninha. sempre escondi as coisas que me resguardam nos sítios mais improváveis. tão incertos que nem eu própria lhes encontro o rasto. a calma transforma-se em ânsia. os dedos inquietos amarfanham, abrem, reviram, retorcem. encontro-a no meio de clips coloridos. tão habilmente escondida. ou tão banal(izada) como eles. clic. rodo-a no cadeado. desliza muito mais ligeira do que os meus sentidos. inspiro. das colunas sai a thunder road em repeat mode: you can hide 'neath your covers, and study your pain, make crosses from your lovers, throw roses in the rain . expiro. e abro a tampa. só queria guardar as coisas que me ficaram de ti. o primeiro batimento cardíaco precipitado. a primeira palavra surpreendida. a primeira nudez envergonhada. (as últimas já não me pertencem. as últimas não pertencem a ninguém). ali. num instante fico rodeada de sorrisos amarelecidos e palavras rasgadas. there were ghosts in the eyes, of all the boys you sent a...

diálogo. (V)

ele: tu que és gaja, não me arranjas aí um manual para entender as mulheres? ela: falam, falam das mulheres mas olha que os homens ... complicadinhos... ele: homens são fáceis a maior parte quer: sexo perdão todos querem: sexo depois há uns que pensam: OK, quero sexo mais vezes e outros que pensam: uma vez foi suficiente

linhas.

troco os passos nos espaços desta cidade. caminho incógnita pelas ruas, consciente somente do ponto de partida e do nome, que te marca, tatuado no pedaço de papel, cheio de setas, exclamações e sublinhados (tinhas medo que não reparasse nele?). ninguém me conhece. (já) não reconheço ninguém. vasculho as esquinas à procura da tua rua. não ficava tão longe da linha, não tão perto da igreja. volto atrás e reescrevo os meus passos. uma, duas vezes. lembro-me de uma faia num jardim vizinho. os ramos quase tocavam a janela do teu quarto. dizias que o vento à noite te arranhava os vidros com eles. passo por carros, sinto luzes a passarem por mim. lembro-me desta ponte. ali, naquele banco (parece ter sido ontem) sorriste e desejaste-me boa viagem. apresso o passo. naquela esquina, emprestaste-me um livro que nunca te devolvi. à entrada daquela casa (reconheço-a agora, ainda tenho a chave guardada num porta-chaves qualquer) trocámos, pela primeira vez, olás, nomes, e sorrisos. daqui os meus pés...

instante(s).

um telefonema. da distância. um sorriso. (re)conhecido. olhares. relembrados. as palavras. sobre as nossas palavras. a confiança dos outros. em nós. os amigos. à distância. dos dedos. [é bom ter instantes de domingo assim...] [war sehr schön, mit dir zu plaudern :)]

[intermezzo] (II)

1. sábado de manhã. o sol a entrar, sem pedir licença, pela janela aberta de par em par. do local de trabalho. em novembro. 2. uma música em repeat (encore une fois): A Sunday smile you wore it for a while... 3. 250 GB de recordações num disco externo. que não apetece organizar. 4. um dedo a passar pelo papel rugoso das palavras de Frost: The woods are lovely, dark and deep, But I have promises to keep, And miles to go before I sleep, And miles to go before I sleep. 5. os minutos vão passando assim, sem dar por isso ... daqui a pouco já é fim de semana... [sim, eu sei que isto assim nem soa a trabalho....]

adágio.

[acompanhar com Barber's ...] Adágio for Strings os primeiros acordes espalham-se como neblina pela sala. alastram pela casa vazia. de olhos fechados (nunca o ouviu de outro modo) toma-a de assalto. a mão direita vai ondeando segura com movimentos leves pelo ar. conhece todos os passos, antecipa-se a cada crescendo. a esquerda aperta ainda a chávena de chá fumegante. por dentro das pálpebras vai surgindo uma curta metragem surda. dedos. maçãs verdes. mãos. tapetes. olhos. palavras. dentes. livros. almofadas. cálices. jogos. sonhos. sombras. recorda-se de ler que só nos lembramos do amor e de paixões deste modo assim, fragmentário. [00'12''] memórias do primeiro beijo, aquele a sério que torna as pernas bambas e o estômago num furacão de borboletas. [00'40''] indefinidas e confusas recordações de homens que a tomaram. memórias de homens a quem amou, uma primeira vez na distância [01'17''], e uma segunda vez na proximidade [03'52'']. o ...

há quem diga.

há quem diga que o lugar que escolheste deixar só se honra em estar desocupado. ou em não estar ocupado por ti. é estranho, mas o certo é que, desde que saíste de casa, o gladíolo voltou a florir. o dia amanhece mais radioso, ou os vidros das janelas a nascente parecem mais transparentes do que quando tu as abrias de par em par. perdeu-se o som dos teus passos a subir a escada, dobrar a esquina e abrir a porta do quarto com a impaciência dos eternos insones. mas, no silêncio que cobre cada canto, seja no bulício do dia ou no sossego da noite, ouvem-se rumores de vida a renascer. a aldraba da porta não cessa de bater por dedos amigos que trazem no olhar palavras de outrora. juro-te que até os livros que tínhamos colocado na estante de canto ao lado da lareira se meneiam encantados quando ninguém está por perto. não sei por onde andas, só sei que de teu na tua poltrona favorita só ficou a suave linha do braço direito para onde tombavas quando adormecias e a foto que nela te tirei um dia ...

me. by the boss.

Seguindo o desafio indirecto da minha querida Rapunzel, aqui vai a minha vida em títulos de canções. Foto não será necessária [quem quiser alguma que peça ;)]. Já há duas por cá, e sempre ouvi dizer que os olhos são o espelho da alma. Também não desafio directamente ninguém . Be my guest :) Cantor: Bruce Springsteen És homem ou mulher? Give the girl a kiss Descreve-te: All that heaven will allow O que as pessoas acham de ti? Magic / Spirit in the night Como descreves o teu último (antes do actual) relacionamento? Blinded by the light Descreve o estado actual da tua relação com o teu namorado ou pretendente: A good man is hard to find Onde querias estar agora? Secret Garden O que pensas a respeito do amor? All or nothing at all Como é a tua vida? Leap of faith O que pedirias se pudesses ter só um desejo? From small things (big things one day come) Escreve uma frase sábia: It’s hard to be a saint in the city

[intermezzo] (I)

1. um beijo. de parabéns. do tamanho do mundo. para o primeiro homem. da minha vida. o meu pai. só não conseguiu que fosse do benfica. de resto partilhamos as mesmas paixões. e o mesmo temperamento :) 2. yes, we can . acredito. quero acreditar (num mundo melhor). porque tenho pessoas a quem dou beijos do tamanho do mundo. e o mundo tem de começar a valer os beijos que dou. 3. e porque acredito em sonhos. e acredito em pessoas que acreditam em sonhos. e acredito que pessoas que acreditam em sonhos merecem sempre ser felizes. espero que sim. 4. d., és capaz de ser responsável pelo piropo mais surreal. que recebi nos últimos tempos. é bom ler-te de volta, mon ami :) .... o blog segue no seu formato habitual dentro de momentos .....

diálogo. (II)

ela: mas qualquer dia dá-me na telha e faço isso a amiga: não tens grande coisa a perder ela: não tenho só tenho de engolir o orgulho e de momento... devo estar com amigdalite não consigo

houve.

houve um tempo em que não tínhamos medo de qualquer caminho. em frente, abrindo o peito às palavras e às lâminas, seguíamos. dedos em dedos, flanco com flanco. houve um tempo em que sermos nós chegava. para avançarmos pelos trilhos, ou recuar pelos atalhos. houve um tempo em que o destino se revelava ao virar de cada esquina. no transbordar de qualquer encruzilhada. houve um tempo em que nos bastava. ser o tempo e sermos nós. hoje o tempo transborda de lâminas que abrem o peito como palavras. hoje há atalhos que se viram nos dedos, seguem e, de medo, rasgam os flancos. hoje o destino avança no tempo em trilhos que recuam. toda e qualquer encruzilhada, neste tempo, já basta para o tempo deixar de ser o tempo, para nós deixarmos de sermos nós. (e isso) basta.

trago.

trago. nos olhos. distâncias. (que ainda não acolhi). trago. nos pés. caminhos. (que ainda não percorri) trago. nos dedos. palavras. (que hão-de ancorar-se em ti)

gostos.

gosto do cheiro da terra quando chove. gosto das poças de água. do piso molhado que faz escorregar os olhos. gosto do nascer do sol. do silêncio da luz a crescer. gosto das noites de verão, do vento quente que tudo invade. gosto de me perder num livro. de dirigir o filme na minha cabeça. gosto de invejar o que os outros escrevem. das palavras que gostaria de ter escrito. gosto de brincar com as palavras. de deixar que me surpreendam. gosto de fotografar. de guardar os meus momentos. para mim. gosto de ouvir uma música nova. até à exaustão ou até ela se entranhar. gosto das recordações das músicas do passado. gosto de ficar na cama depois de acordar. aconchegar o edredon com música. gosto de olhar para os riscos de luz na cortina. gosto de pés enroscados em pés. de pele com pele. calor. gosto de me lambuzar com gelado de chocolate. de lamber a colher. gosto de trovoada. da luz. do barulho. da força. gosto de toques. de dedos nos meus dedos. nos lábios. em mim. gosto do cheiro do mar. d...

algumas histórias intermináveis.

- Todas as verdadeiras histórias são uma História Interminável! - Passou os olhos pelos muitos livros empilhados até ao tecto nas estantes que tapavam as paredes e depois disse, apontando para eles com a boquilha do seu cachimbo: - Há muitas portas para Fantasia, meu rapaz. Há muitos outros livros mágicos. Muitas pessoas nunca dão por isso. Tudo depende da pessoa em cujas mãos cai o livro. - Então, a História Interminável é diferente para cada um? - É isso mesmo - disse o senhor Koreander. - Além disso, não são só os livros que levam a Fantasia, há outras possibilidades de ir até lá e voltar. Hás-de vir a sabê-lo mais tarde. Die Unendliche Geschichte , Michael Ende sim, há. algumas possibilidades. além dos livros. raras, mas há. em relação a estes vi a ideia concretizada noutros blogs e achei bastante interessante. aqui estão, então, algumas das minhas histórias intermináveis:

recado. (II)

Querido M. Ia a meio caminho de casa quando me lembrei que tinha acabado de passar na tua rua. Beijo A. P.S.: Nem reparei que estava a passar lá . (Isso) foi bom.