tu.

quinta-feira, julho 21, 2005


"vejo o vento, atiçando a alma das árvores, empurrando nuvens, lavando o céu - mas não o sinto. tu encolhes o pescoço no casaco para te defenderes dele. [...] persigo-te para que o tempo exista. porque andas, e olhas o céu, e o encontras às vezes negro, ou cintilando como um escuro mar de jóias, ou chuvoso, ou ressequido de sol, sei que os dias passam. "
mesmo sem te ter (ainda) tocado, faltas-me. persigo-te.... ou ao que de ti vejo, anseio, interpreto nas nuvens de um ou outro céu. nas folhagens claro-escuras de determinada árvore. nos pequenos detalhes que se enrodilham nos meus olhos ao sair de casa. nos pormenores aos quais os meus dedos inquietos não conseguem resistir. nos pseudo-pedaços de ti que tanto me inebriam que fico, por vezes, imóvel, plantada no meio da rua, absurdamente louca e ausente, a pensar-te ali. o vento do qual te escondes, eu acolho. a luz que te encandeia, procuro. sacodes as estrelas das tuas noites insones, e eu colho-as, uma por uma, fecho-as, quais flores secas, no que tenho de mais precioso - os meus livros - para que resplandeçam nos breves minutos de fuga antes de adormecer. eu sei que os dias passam, mas correm tão lentos. eu sei que o (meu) tempo existe (por, através de ti) mas flutua tão devagar. eu sei que respiras, mas estás demasiado longe. eu sei que és o meu caminho, mas temo ter perdido o mapa. traz-me as tuas mãos e guia-me pelo teu corpo.
"podemos amar no escuro, sim; podemos amar na luz sonâmbula da ausência, podemos tanto que inventámos Deus."
ou Deus inventou-te na ausência sonâmbula da minha luz e agora não consigo (vi)ver sem (ser por) ti.


[ excertos : Inês Pedrosa - Fazes-me Falta]

4 comentários:

catarina disse...

arregalo os olhos até ao fundo da alma, porque é o único gesto que consigo, depois (das tuas palavras). ferem-me mais do que possas imaginar, por motivos que não me apetece contar. mas menina... "tanto caco!":)
e sim, eu acredito que podemos amar no escuro. acredito no amor, no que nasce no escuro e desengana as distâncias.

(estou orgulhosa da minha afilhadita bloguística!!! és Grande, rapariga!:)).

r.e. disse...

obrigado pela tua visita às minhas mãos também vazias na extensa madrugada. volta sempre. gostei da empatia entre os espaços. beijinho. J.

Perdida Entre Ustedes disse...

Interesante texto

310708 disse...

és sonho que nasce nas noites que passo acordado a recordar os ventos que trouxeram as tuas palavras aos meus ouvidos surdos de amor... és luz que enche o meu horizonte onde o por de sol nasce com um brilho de futuro... és as pisadas que quero acompanhar por estradas onde me encontro em mapas teus... és o som que ecoa em estações onde te aguardo com bilhetes para mil viagens mais... és motivo, és causa, és partida e destino.. és o silencio das musicas que tocam.. que trazem memórias de dias onde foste o completar... aqui te espero.. nos cruzamentos de onde quiseres partir.. nos degraus que te levam a onde quiseres chegar..