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os livros são (de) todos os dias.

passo os olhos pelas minhas estantes e contemplo volumes da minha biografia. é isso que os livros também são. para mim. o Pêndulo de Foucault foi recomendado pela professora de Português do 12ºano, altura em que devorei Os Maias de um trago e coloquei o Memorial do Convento na prateleira [até hoje]. já desisti por duas vezes do Absolom, Absolom , uma das obras de "Literatura Inglesa III", que ainda pertence aos meus 1990's. os volumes da Agatha Christie trazem nas suas páginas cheiro a mar, sol e grãozinhos de areia, dos dias na praia em anos de juventude. passo os olhos pelas minhas estantes e encontro pedacinhos de mim em cada um deles. mesmo naqueles que ainda não abri.

titulando.

a flier desafiou-me. e eu gosto de desafios :) então é suposto "escrever uma frase, citar um título ou contar uma historinha sobre seis assuntos nos seguintes segmentos"... sendo hoje o dia do livro, um título que por aqui ande para cada item... VIDA "vai aonde te leva o coração". porque se não for com [o] coração, o que vale a vida? CINEMA "selected tales". gosto de filmes que me envolvam. que me virem do avesso. que me dêem um murro no estômago. sou selectiva :) [ou picuinhas] LITERATURA "a história interminável". uma citação deste livro que resume a minha paixão pela literatura: "todas as verdadeiras histórias são uma história interminável [...] há muitas portas para Fantasia, meu rapaz. há muitos outros livros mágicos." não há magia como ler. não há... VIAGEM "a volta ao mundo em 80 dias". se tivesse 80 dias e o euro-milhões...:) AMOR "persuasion". porque foi o primeiro passo. depois veio a confirmação. SEXO ...

conforto.

abro um dos livros que volto a trazer na carteira e dele cai uma folha para o chão. no topo esquerdo está escrito "sentimos o silêncio. e não nos incomoda...". e lembro-me pelas reticências que queria ter escrito mais. que queria ter explicado como o silêncio não intimida. não fica retido entre nós como um fantasma. que as palavras não são contidas. transpiramo-las naturalmente como gotas de suor. que por isso a sua ausência não é pesada. inspiramos e expiramos [n]as pausas delas. despimo-nos de tudo. de segundas intenções. de temores. de máscaras. despimo-nos [um ao outro] pelas palavras. e até quando nos despimos delas não nos sentimos nus.

ando por aí...

pé ante pé. antes de correr, temos de aprender a caminhar. [ obrigada pelas vossas palavras a perguntar pelas minhas. aqui vêm elas, em pézinhos de lã novamente :) é estranho como o post anterior acabou por ser algo "divinatório" de um silêncio prolongado, de todo programado]

as palavras. (VII)

sozinha no [meu] sossego do quarto sinto as palavras a redemoinhar à minha volta. vou-as apanhando uma a uma, aconchegando-as em ramalhetes simples, o mais simples possível. chamam-me da sala, onde as palavras dos outros me fazem, por momentos, esquecer a ordem das minhas. pego na caneta e só consigo escrever [vazio]. ponho as minhas coisas debaixo do braço e a meio do corredor já as sinto [às palavras], em pézinhos de lã, a voltarem comigo [para mim].

so[r]riso.

pode ser da alegria que tenho visto na cara dos miúdos, entusiasmados com os fatos de carnaval. pode ser pelo retorno do sol que levanta a moral logo ao acordar. pode ser pelas nette Besuche por aqui. pode ser por me lembrar das figuras que fizemos na sessão fotográfica deste dia. pode ser por achar que algumas amigas estão a precisar de um olá. apeteceu-me sorrir[-lhes] :)