"vejo o vento, atiçando a alma das árvores, empurrando nuvens, lavando o céu - mas não o sinto. tu encolhes o pescoço no casaco para te defenderes dele. [...] persigo-te para que o tempo exista. porque andas, e olhas o céu, e o encontras às vezes negro, ou cintilando como um escuro mar de jóias, ou chuvoso, ou ressequido de sol, sei que os dias passam. " mesmo sem te ter (ainda) tocado, faltas-me. persigo-te.... ou ao que de ti vejo, anseio, interpreto nas nuvens de um ou outro céu. nas folhagens claro-escuras de determinada árvore. nos pequenos detalhes que se enrodilham nos meus olhos ao sair de casa. nos pormenores aos quais os meus dedos inquietos não conseguem resistir. nos pseudo-pedaços de ti que tanto me inebriam que fico, por vezes, imóvel, plantada no meio da rua, absurdamente louca e ausente, a pensar-te ali. o vento do qual te escondes, eu acolho. a luz que te encandeia, procuro. sacodes as estrelas das tuas noites insones, e eu colho-as, uma por uma, fecho-as, qu...
Hoje roubei todas as rosas dos jardins / e cheguei ao pé de ti de mãos vazias... [Eugénio de Andrade]