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so[r]riso.

pode ser da alegria que tenho visto na cara dos miúdos, entusiasmados com os fatos de carnaval. pode ser pelo retorno do sol que levanta a moral logo ao acordar. pode ser pelas nette Besuche por aqui. pode ser por me lembrar das figuras que fizemos na sessão fotográfica deste dia. pode ser por achar que algumas amigas estão a precisar de um olá. apeteceu-me sorrir[-lhes] :)

instante(s).

um telefonema. da distância. um sorriso. (re)conhecido. olhares. relembrados. as palavras. sobre as nossas palavras. a confiança dos outros. em nós. os amigos. à distância. dos dedos. [é bom ter instantes de domingo assim...] [war sehr schön, mit dir zu plaudern :)]

7.30

abro a porta do prédio e mergulho na manhã. o ar frio faz-me cócegas no nariz. subo o fecho do casaco até ao queixo e estico as mangas até me taparem as pontas dos dedos. dou uns dez passos. entro no carro. respiro fundo e ligo o rádio. dez minutos depois o sol ergue-se para lá do Caramulo, atravessa a neblina e rebrilha no fio de água que vai no Vouga. o rádio vai debitando: I used to roll the dice Feel the fear in my enemies' eyes Listened as the crowd would sing Now the old king is dead, long live the king One minute I held the key Next the walls were closed on me And I discovered that my castles stand Upon pillars of salt and pillars of sand e eu penso na (suprema) ironia da vida. e sorrio. gosh, it feels great to be alive.

tempo.

era tempo. de fugir às curvas sombrias do silêncio na minha pele. era tempo. de guardar as memórias, trancadas bem longe do peito. era tempo. do brilho voltar aos olhos, da ternura desgastar a frieza dos dedos, a rigidez dos lábios. era tempo. de voltar a ser terra e voltar a ser ave, tendo tanto raízes como o desígnio da lonjura. era tempo. do fogo, da combustão lenta de tudo o que sobreviveu. ao vento do outono agreste. foi tempo. da luz da manhã e do voo das gaivotas. é tempo. de recomeçar.

o silêncio.

a folha, branca. há horas que aguarda, paciente. mas as palavras fogem. encolhem-se. é noite. de silêncio. os primeiros sinais de vida lá fora. o silêncio. as minhas mãos. vazias. repletas de nada. prenhas de tudo. da madrugada à manhã. e o silêncio. os meus dedos pequenos. os meus braços longos. e os meus olhos, que de castanhos se enverdecem. com o segredo. e o silêncio. e algumas palavras. três, quatro palavras. pouco mais. lançam raízes na alvura da folha. e quebram. por momentos. o silêncio. [nasce o dia. tu. estou (sempre) aqui.]