Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2008

alternativa

acabei de descobrir um local em aveiro onde passam filmes que realmente me chamam a uma sala de cinema (os que não fazem parte dos cartazes da Lusomundo e aqueles que nunca ninguém quer ir ver connosco). como agora te compreendo, violet, tenho de me mudar para a capital para irmos fazer companhia uma à outra nas salas de cinema ... quem quer vir? :)

as palavras. (III)

um dia disse isto: acho que os meus momentos de decisão são marcados por coisas que escrevo. pode parecer estúpido mas tem sido assim... e responderam-me: nao é nada estúpido! é assim mesmo... e eu fiquei a pensar: e se algum dia me faltam (as) palavras? (para quem está tão habituada a sentir com elas)

little people.

- Teacher, sorri. - Ahn, what Gonçalo? - Sorri. Faz um sorriso. (desnecessária descrição da minha tentativa de sorrir sem perceber aonde o rapaz queria chegar) - Ah, tens um dente de vampiro. É por isso que sorris pouco. - ..... (Ao menos o miúdo é observador. Para aluno do 1º ano nada mau. A referência aos vampiros é decerto por estarmos a falar do Halloween, cof cof ) - Oh, Teacher. - Diz, Inês. - As tuas unhas estão muito bonitas. Como pintas, com marcador? - .... E pronto. Fora os momentos em que me apetece seguir a máxima de uma mãe ("ele vai para a sala com duas orelhas, faça uso delas") eles até conseguem ser engraçados, imprevisiveis e queridos. Às vezes. Mas não se pode sorrir muito, senão o Gonçalo abusa.

7.30

abro a porta do prédio e mergulho na manhã. o ar frio faz-me cócegas no nariz. subo o fecho do casaco até ao queixo e estico as mangas até me taparem as pontas dos dedos. dou uns dez passos. entro no carro. respiro fundo e ligo o rádio. dez minutos depois o sol ergue-se para lá do Caramulo, atravessa a neblina e rebrilha no fio de água que vai no Vouga. o rádio vai debitando: I used to roll the dice Feel the fear in my enemies' eyes Listened as the crowd would sing Now the old king is dead, long live the king One minute I held the key Next the walls were closed on me And I discovered that my castles stand Upon pillars of salt and pillars of sand e eu penso na (suprema) ironia da vida. e sorrio. gosh, it feels great to be alive.

recado. (I)

Querido M. Tens o jantar no fogão. A roupa está passada e pendurei a camisa no armário para não se enrodilhar. A conta da luz deve chegar amanhã. O resto já está tratado. Beijo A. P.S.: Tens aqui a chave do correio. Lá encontrarás as chaves de casa e no envelope azul pequenino vazio o que resta do meu amor por ti.

maiores que o pensamento.

e porque este fim de semana foi por demais pródigo em momentos mágicos, instantes de alegria, gargalhadas e descobertas, cumplicidades e conhecimentos ..... e como não me parece que lhes conseguisse sequer fazer justiça com as minhas palavras, aqui ficam as de outrem.... Mal nos conhecemos Inaugurámos a palavra amigo! Amigo é um sorriso De boca em boca, Um olhar bem limpo, Uma casa, mesmo modesta, que se oferece. Um coração pronto a pulsar Na nossa mão! (Alexandre O'Neill) [eu sei que já vos disse isto ontem mas .... meninos... vocês estão cá dentro ;)]

pontes de vista.

Em dois posts seguidos este senhor (que gosto imenso de ouvir e pelo qual saio sempre uns minutinhos mais cedo da aula da manhã para o "apanhar" ainda em linha) fala de três dos meus filmes favoritos, que contêm em si referências a três paixões: fotografia, cinema, poesia (literatura). De um destes filmes são as primeiras citações que coloquei ali na minha "ever-updating" barra lateral de preferidos: "As Pontes de Madison County". E diz o escriba: Confesso que não me lembro muito bem das Pontes de Madison County. Das brumas saem as ditas, que achei belíssimas, o meu querido Clint, último e fiel depositário de um certo cinema e tipo de actor, o desempenho intocável de Meryl e a sua mão crispada na porta de um automóvel. "A" cena ... o momento que nos toca a todos, acompanhando como vimos a acompanhar o encantamento crescente dos dois, os toques, a luz, o encontro dos corpos. Deve ser difícil encontrar quem, caso se tenha sentido tocado pelo film...

mãos.

Teu corpo, Meu porto, No teu peito, Me revivo. Mãos anseiam, Pela pele. Sustêm. Suspiro. De dor. Prazer. Ardente. Sustêm. Eu respiro. Inspiro. Suspiro. Teu corpo. Em mim. Eu expiro. Eu grito. Meu peito. Tuas mãos. Tua pele. Meu corpo. Em mim. Tu anseias. E perdes-te. Em mim.

tempo.

era tempo. de fugir às curvas sombrias do silêncio na minha pele. era tempo. de guardar as memórias, trancadas bem longe do peito. era tempo. do brilho voltar aos olhos, da ternura desgastar a frieza dos dedos, a rigidez dos lábios. era tempo. de voltar a ser terra e voltar a ser ave, tendo tanto raízes como o desígnio da lonjura. era tempo. do fogo, da combustão lenta de tudo o que sobreviveu. ao vento do outono agreste. foi tempo. da luz da manhã e do voo das gaivotas. é tempo. de recomeçar.

maior que o pensamento.

Sabe bem ver que mudámos. Que crescemos. Que tomámos decisões. E aceitámos as consequências. E as responsabilidades. Que arriscámos. Que saímos não só do nosso casulo, mas do país, do continente até, à procura de nós próprios. E que, se ainda não achámos tudo o que queríamos, encontrámos, pelo menos, partes de nós que desconhecíamos. No caminho. E sabe bem ver que ainda sorrimos com histórias de directas inenarráveis. De serenatas desafinadas aos vizinhos às 3 da matina. De café fora do prazo de validade para ajudar a concentrar no trabalho (tanto que uma adormeceu e tu saltaste pela janela do teu rés do chão e foste dar a volta ao quarteirão a correr). 7 anos... como o tempo passa. E sabe bem ver que a amizade se mantém, apesar da distância e se calhar cresce com o nosso crescimento, a nossa maturidade. E soube muito bem falar de Deus e de gin tonic, de livros e de spray para mosquitos, do tudo e do nada. E sabe muito mesmo muito bem. ter amigos assim. (eu sei, é pegar no avião e....)

nos olhos.

I never quite understood the expression "feeling blue". In such occasions, my hazel eyes always turned into emeralds, never sapphires.

o silêncio.

a folha, branca. há horas que aguarda, paciente. mas as palavras fogem. encolhem-se. é noite. de silêncio. os primeiros sinais de vida lá fora. o silêncio. as minhas mãos. vazias. repletas de nada. prenhas de tudo. da madrugada à manhã. e o silêncio. os meus dedos pequenos. os meus braços longos. e os meus olhos, que de castanhos se enverdecem. com o segredo. e o silêncio. e algumas palavras. três, quatro palavras. pouco mais. lançam raízes na alvura da folha. e quebram. por momentos. o silêncio. [nasce o dia. tu. estou (sempre) aqui.]

nocturne (a duas mãos).

A minha primeira e única tentativa de escrita colaborativa até hoje :) sob o espectro invisível do falso silêncio da noite, procuro, antes de mim, a vida e momentos de doce enleio. procuro estradas em que possas existir para lá do âmago da carne e em que eu te sinta como minha solene fuga à escuridão do ser e ter de ser. pensei que a luz era sombra viva no teu corpo que demora, que me afoga, e o teu afago carícia, doce e decidida, que pressinto ou imagino, anseio como nenhuma verdade em fúria sobre mim. e recuso com amor, com temor de ser infinitamente imperfeito. sendo feito para ser incompleto. não durar mais do que o tempo em que me esqueço e me invento e me finjo uno e pleno junto a ti. (15 de Março de 2005, com Daniel Camacho)

em mim.

Porque um dia me disseram que esta quadra parece escrita para mim... Em mim tenho o mundo inteiro e mais que tudo as estrelas é procurá-las no céu o que me impede de vê-las. (Agostinho da Silva)

as palavras. (I)

Sê paciente; espera que a palavra amadureça e se desprenda como um fruto ao passar o vento que a mereça. Sempre tive livros. A minha família (pais, primas, tios..) teve, em vários natais e aniversários, a brilhante ideia de me entregar uns embrulhos, muito bem feitos, de cantos direitinhos e bem definidos que, sem surpresas, deixavam adivinhar o seu conteúdo (um livro) mas abriam todo um mundo de possibilidades: será um livro de quem? sobre quê? e as personagens? que aventuras conta? Também herdei vários livros das minhas primas (eu sou a mais nova, é natural que acabasse por herdar muita coisa :)) deixados ao acaso em casa da minha avó. O que encontrei devorei sempre com sofreguidão. Acompanhei as peripécias da Anita , as aventuras d' Os Cinco e d' Os Sete , as desventuras da Cláudia , segui as gémeas, o Chico, o João e o Pedro n' Uma Aventura de cada vez. Um dos meus livros favoritos da adolescência ainda ocupa um lugar de destaque no meio do caos organizado que é o meu ...

into the wild. into ourselves.

comecei a vê-lo carregada de cepticismo :) ... acabei a lacrimejar ... fascinou-me tanto que foi dos primeiros filmes que pus na lista aqui ao lado. há uma frase, quase no final, que me encantou. não a encontro nas citações, não a encontro em lado nenhum, acho que terei de ver novamente o filme para a (re)conhecer. talvez seja melhor assim. um amigo lembrou-me há 3 dias do encanto da banda sonora deste filme (obrigada Jota) e desde então que estas músicas me perseguem. when you want more than you have, you think you need... late at night I hear the trees, they're singing with the dead / Overhead... there’s a big / a big hard sun / beating on the big people / in the big hard world ... God's place is not all that we need, Christopher. you realised it. but just a second too late.