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  saudades. das cortinas sempre brancas. do pátio sempre caiado. dos metais a reluzir. do louro pendurado no fio da roupa. do morango-forte do portão. das passadeiras de trapos da cozinha. da tua mão. das palavras [que me faltam cada vez mais...].                                                                                                                                                                            #12setembros            ...
E por vezes as noites duram meses E por vezes os meses oceanos E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos    E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos E por vezes fingimos que lembramos E por vezes lembramos que por vezes ao tomarmos o gosto aos oceanos só o sarro das noites      não dos meses lá no fundo dos copos encontramos E por vezes sorrimos ou choramos E por vezes por vezes ah por vezes num segundo se evolam tantos anos David Mourão-Ferreira [september is the saddest month]

saudades.

de passar por aqui. de pass(e)ar pelos vossos cantos. das minhas palavras, das vossas palavras. das palavras trocadas e das (re)criadas. [Facebook killed the blog stars] [onde escrevem vocês hoje?]

[3/2015]

[2/365]

.... A part of me earth A part of me sky ... ( não me sai da cabeça )

[1/365]

stop. reset. go. que sejas bem-vindo 2015.

[5/365]

[4/365]

with the random sound of the day: Fake Empire , The National Turn the light out say goodnight no thinking for a little while

[3/365]

águ [ed] a a perder de vista. no sound of the day today. random or not.

[2/365]

with the random sound of the day: Nantes , Beirut And in a year, a year or so this will slip into the sea

[1/365]

with the not so random sound of the day: Und wenn ein Lied, Söhne Mannheims ... alles bleibt unser gedanklicher Besitz und eine bleibende Erinnerung zwischen Tag und Nacht legt sich die Dämmerung

a continuação.

e entra setembro e eis que nunca dele saí. e penso em tudo o que te queria ter mostrado, em tudo o que te queria ter dito, e em cada setembro que passa. e penso que passa tão rápido, mas dói ainda tanto, como se cada dia acrescentasse um grama de pressão sobre o meu coração. e já passaram tantos dias. e dói ainda tanto. e tenho um peso tão grande cá dentro. as memórias de tudo o que não te disse. de tudo o que já não pudeste ouvir. fazes-me tanta falta.

001

se tanto me dói.

uma geração que se apaga. sinto-me, cada vez mais, muito longe das minhas memórias.

linhas.

havendo ausência das escritas, que haja pelo menos abundância das fotografadas. (sei que tenho saudades das duas)

medo.

volto muitas vezes à tua rua. só que cada vez mais é cada vez menos a tua, a nossa rua. quero dizer-te tudo ao mesmo tempo e o que te quero dizer corre mais do que eu posso, corre muito mais do que eu quero. as tuas portas, sempre cor de morango maduro, a descascar, brancas como a cal que usavas no pátio, e o pátio, o pátio está verde como as folhas de louro que tinhas nos fios da roupa, e os fios da roupa, esses estão por um fio. e tentei espreitar para o pátio [rodei o trinco, e fez aquele barulho, sabes] e rodou, e abriu. e existe agora um cadeado prateado, esse bem reluzente, a segurar o portão. lembro-me de tudo menos do cadeado. e esse zomba agora, brilhante e forte, de tudo o que me lembro. e eu queria espreitar porque me sentia forte [não há maior fantasma do que o da ausência, e esse já o conheço], e queria espreitar porque me sentia pequenina [e faltava a tua mão na minha]. tenho cada vez mais medo de não ter nada mais do que memórias para transmitir.

metade.

é subir a rua, girar o puxador do portão, empurrá-lo com a mão na parte de cima. dá tanto jeito ser alta. sabes que quando o pintas ele emperra, e ajuda se o empurrar. e eu sou alta, noto-o quando chego ao pé de ti. dantes tinha de me pôr em bicos de pés, agora curvo-me. curvo-me para te abraçar. e as minhas costas ficam assim curvas como a metade de um coração, sabes? e hoje continuo a curvar-me para te abraçar. e quero empurrar o portão e entrar. e eu que sou alta, volto a pôr-me em bicos de pés. e sei que o portão já não emperra, e não tento girar o puxador. mas as minhas costas continuam a ficar assim curvas como a metade de um coração. [I know you're there]

twenty.ten.

fecho a antiga. azul manchada de tinta no canto esquerdo. o elástico bambo do uso. as páginas cheias de rabiscos. já copiei os aniversários. já anotei algumas reuniões. o final do ano lectivo. já passei listas de coisas que ficaram por fazer. [é mais uma continuação do que um re-início] uma página para cada dia [gosto de agendas grandes] e tanto espaço em branco... um bom 2010 para todos .... .... que saibamos escrever as suas páginas da melhor maneira.