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Mensagens

metade.

é subir a rua, girar o puxador do portão, empurrá-lo com a mão na parte de cima. dá tanto jeito ser alta. sabes que quando o pintas ele emperra, e ajuda se o empurrar. e eu sou alta, noto-o quando chego ao pé de ti. dantes tinha de me pôr em bicos de pés, agora curvo-me. curvo-me para te abraçar. e as minhas costas ficam assim curvas como a metade de um coração, sabes? e hoje continuo a curvar-me para te abraçar. e quero empurrar o portão e entrar. e eu que sou alta, volto a pôr-me em bicos de pés. e sei que o portão já não emperra, e não tento girar o puxador. mas as minhas costas continuam a ficar assim curvas como a metade de um coração. [I know you're there]

twenty.ten.

fecho a antiga. azul manchada de tinta no canto esquerdo. o elástico bambo do uso. as páginas cheias de rabiscos. já copiei os aniversários. já anotei algumas reuniões. o final do ano lectivo. já passei listas de coisas que ficaram por fazer. [é mais uma continuação do que um re-início] uma página para cada dia [gosto de agendas grandes] e tanto espaço em branco... um bom 2010 para todos .... .... que saibamos escrever as suas páginas da melhor maneira.

pre.liminares. (II)

começa com um olhar. curiosamente tímido. tão curiosamente tão tímido para alguém como nós. tão adulto em tantas línguas. continuam as palavras a fazer conversa entre si. as tuas. as minhas. as nossas [aquelas às quais já demos algum sentido especial, seja em que dialecto for]. pegas-me nas mãos e olhas atentamente os meus dedos [o pretexto já o tinha adivinhado - como é que eu sabia que irias reparar nisso - mas é curioso sentir os meus dedos suspensos dos teus]. puxas-me o brinco verde ao de leve entre duas inspirações. e entre silêncios e sons, brincas com a ponta do meu cachecol listado e dizes que é o meu favorito. eu aceno e penso que [observador] se calhar até tens razão. e brinco com a colher do café para não reparares no ligeiro tremor dos dedos. ( I )

feliz.idade.

tenho tantas tantas saudades. do natal.

i can picture...

comecei a fotografar para não perder o que [vi]via. transformava muitas coisas em palavras. mas nada dizia tanto da doçura de um olhar como um retrato, da vida de uma cidade como um instantâneo. sempre julguei que nunca iria esquecer determinadas coisas. as ruas da minha infância [que já não encontro por vezes no mesmo sítio]. o padrão dos azulejos da cozinha da minha avó [quebrado por alguns substitutos dissonantes]. o meu jardim secreto noutras paragens [onde passeava, longe tão longe, tão perto de mim]. as noites longas. mas cada vez que os vejo guardados por mim descubro emoções [esquecidas?]. não quero viver em [de?] imagens, mas quero ver para além delas o que já vivi. ontem apeteceu-me fotografar-te. não que tenha medo de me esquecer do teu rosto, mas porque sei que, tal como o primeiro beijo, a primeira vez que descobri que quando sorris ficas com covinhas nas bochechas é irrepetível.

bubbles.

perco-me vezes sem conta a olhar para coisas [in]significantes. os meus olhos são mais de criança do que os de muitos dos meus miúdos que, ano após ano, me chegam em fornadas cada vez mais requintadas, cada vez mais exigentes, cada vez mais intolerantes. se há coisa que não quero perder [nunca] é a faculdade do assombro. e o brilhozinho nos olhos.