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hoje.

estive para deixar passar o dia de hoje sem palavras (minhas). mas não resisti a alinhavar um balanço. sim, admito. tive medo deste número. 30 é demasiado redondinho para não assustar. mas chego a este ponto e confesso que gosto (mesmo) de quem (me) vejo. lembro-me deste dia há dez anos atrás. de onde estava, das pessoas que estavam comigo. restam-me duas (erinnert ihr euch, c. und l.?) que mais de perto ou mais de longe me foram acompanhando. gosto muito (gosto cada vez mais) de vos ter na minha vida.

e o facto é que, desde então...

tive professores fantásticos e alunos inesquecíveis. amei e fui amada. sofri e fiz sofrer. parti e vi partir. vivi em partes quase iguais em dois países. cresci em cada um deles. de formas diferentes. em línguas diferentes. descobri o prazer de fotografar. que sei que ficará para sempre comigo. li vidas e vivi histórias que davam livros. conheci pessoas extraordinárias. que acreditam no vento e no imprevisível. que sentem as palavras como eu as sinto. que, apesar de terem vivências completamente diferentes, me compreendem e desafiam. esqueci e descobri o prazer das palavras. perdi pessoas que amava, desde que a vida é vida e desde que eu sou gente. tive medo, muito, de perder pessoas que amo desde a mesma altura. (nunca me senti tão impotente para proteger quem me é querido). descobri a fragilidade e a fortaleza. resgatei forças que não sabia que tinha. depois de ter perdido coisas que nunca teria suposto vir a perder. verti muitas lágrimas. e surpreendi muitos sorrisos. encontrei o prazer da alegria espontânea com amigos. e revi-me a mim própria tantas vezes nas solitárias palavras sentidas de desconhecidos. deixei partes de mim para trás. e fiquei mais forte por as ter querido deixar. descobri que nunca, mas nunca mais, irei abdicar de coisas que fazem de mim quem eu sou. para completar alguém. decidi-me muitas vezes pelo "road less taken" e. embora pudesse ter evitado alguns dissabores caso não o tivesse feito. nunca poderia de outro modo estar aqui. agora. a dizer: venha mais uma década. i'm ready :)


[este balanço ficou longo. posts assim só para daqui a dez anos, prometo :)]


Comentários

vanita disse…
Revejo-me neste balanço. Muito ;)
Anónimo disse…
E assim sendo Parabéns. Pelo que viveste e, sobretudo, pela maneira como usaste isso para te tornares quem és. A vida é um desafio... Mas o que fazemos com o que vivemos é um desafio ainda maior...
Nandita disse…
Dos dez que "balanças" hoje, só conheci um. Mais ou menos por esta altura, mais ou menos no centro do Porto.
E, bem... só te queria dizer que é um prazer conhecer um bocadinho do que és, do que os anos, as pessoas e os lugares te fizeram. És grande, miúda :).
Parabéns, e um óptimo aniversário para si!
bf disse…
Ainda bem que não deixaste passar este dia sem palavras. Tuas.
Vais gostar de lê-las. De ler-te. Daqui a mais 30!
Um beijo. Parabéns
Anónimo disse…
há tanto tempo que se faziam com as mãos. os gestos. que deixavam a loucura dos traços das coisas. sobressair. e com elas. contava-se estrelas. e os passos escuros do caminho.

com as mãos. vazias. conseguiamos encontrar. os pedaços de luz. que compunham o rosto. escondido. dos dias. e os dias estendiam-se pelo corpo.

um corpo. e a terra. para fazer flores crescerem.

um abraço.

parabéns.

João
osdiasdasnoites.
Rapunzel disse…
Amiga! Eu tive a sorte de ir à ante-estreia deste post...q AMEI! Espero que daqui a 30 anos continuemos a fazer balanços destes. Bjs gds
Brida disse…
um beijo. a todos.
:)
Anónimo disse…
e tarde e a más horas, mas não deixando de ser sentido, um beijo de parabéns. *
Brida disse…
obrigada, g. :)*

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sozinha no [meu] sossego do quarto sinto as palavras a redemoinhar à minha volta. vou-as apanhando uma a uma, aconchegando-as em ramalhetes simples, o mais simples possível. chamam-me da sala, onde as palavras dos outros me fazem, por momentos, esquecer a ordem das minhas. pego na caneta e só consigo escrever [vazio]. ponho as minhas coisas debaixo do braço e a meio do corredor já as sinto [às palavras], em pézinhos de lã, a voltarem comigo [para mim].

chave.

procuro a chave do baú pelas gavetas da escrivaninha. sempre escondi as coisas que me resguardam nos sítios mais improváveis. tão incertos que nem eu própria lhes encontro o rasto. a calma transforma-se em ânsia. os dedos inquietos amarfanham, abrem, reviram, retorcem. encontro-a no meio de clips coloridos. tão habilmente escondida. ou tão banal(izada) como eles. clic. rodo-a no cadeado. desliza muito mais ligeira do que os meus sentidos. inspiro. das colunas sai a thunder road em repeat mode: you can hide 'neath your covers, and study your pain, make crosses from your lovers, throw roses in the rain . expiro. e abro a tampa. só queria guardar as coisas que me ficaram de ti. o primeiro batimento cardíaco precipitado. a primeira palavra surpreendida. a primeira nudez envergonhada. (as últimas já não me pertencem. as últimas não pertencem a ninguém). ali. num instante fico rodeada de sorrisos amarelecidos e palavras rasgadas. there were ghosts in the eyes, of all the boys you sent a...

feliz.na.vida[d].

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