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quando eras pequena.

quando eras pequena trepavas para o ramo mais próximo da nespereira e dependuravas-te sobre o muro alto, num desiquilíbrio ameaçador. mas sorrias. nessa idade os fascínios superam os medos. lembro-me de ti sempre a sorrir, o cabelo liso, as faces sempre coradas das correrias, as batas sempre sujas das brincadeiras. contavas-me que gostavas de andar no baloiço, porque ao subir, cada vez mais alto, com cada vez mais balanço, te sentias chegar mais perto do teu avô. que diziam velava por ti como um anjo no céu. andavas sempre de volta das papoilas, encantava-te o vermelho rubro delas, mordiscavas o caule durante horas. quando eras pequena deixaste de dormir à tarde como as outras crianças. não conseguias, simplesmente. não sei se tinhas medo que não te fossem buscar ou se te confundia nessa altura já o dormir enquanto ainda havia luz. de noite os sonos são mais calmos, dizias-me com a certeza dos teus 4 anos. quando eras pequena pintavas malmequeres com os dedos mas fazias questão de assinar o teu nome com lápis de cor (que agarravas sem prática mas com convicção) com todas as letras, como gente grande. pedias todas as noites que te contassem histórias que já tinhas ouvido vezes sem conta. e encontravas encantos em cada palavra, como se fosse a primeira vez. quando eras pequena ias ao canteiro dos morangos, no tempo deles, escolhias um mais vermelhinho, esfregava-lo na manga da camisola e trincavas, milímetro a milímetro. sabias que tanto podia ser já doce como ainda amargo. mas que se não arriscasses nunca lhe saberias o sabor.

Comentários

Amizade...
Bonito...Muito bonito.

;)

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as palavras. (VII)

sozinha no [meu] sossego do quarto sinto as palavras a redemoinhar à minha volta. vou-as apanhando uma a uma, aconchegando-as em ramalhetes simples, o mais simples possível. chamam-me da sala, onde as palavras dos outros me fazem, por momentos, esquecer a ordem das minhas. pego na caneta e só consigo escrever [vazio]. ponho as minhas coisas debaixo do braço e a meio do corredor já as sinto [às palavras], em pézinhos de lã, a voltarem comigo [para mim].

chave.

procuro a chave do baú pelas gavetas da escrivaninha. sempre escondi as coisas que me resguardam nos sítios mais improváveis. tão incertos que nem eu própria lhes encontro o rasto. a calma transforma-se em ânsia. os dedos inquietos amarfanham, abrem, reviram, retorcem. encontro-a no meio de clips coloridos. tão habilmente escondida. ou tão banal(izada) como eles. clic. rodo-a no cadeado. desliza muito mais ligeira do que os meus sentidos. inspiro. das colunas sai a thunder road em repeat mode: you can hide 'neath your covers, and study your pain, make crosses from your lovers, throw roses in the rain . expiro. e abro a tampa. só queria guardar as coisas que me ficaram de ti. o primeiro batimento cardíaco precipitado. a primeira palavra surpreendida. a primeira nudez envergonhada. (as últimas já não me pertencem. as últimas não pertencem a ninguém). ali. num instante fico rodeada de sorrisos amarelecidos e palavras rasgadas. there were ghosts in the eyes, of all the boys you sent a...

feliz.na.vida[d].

e ... eis que este blog também adere à animação versão natalícia lançada pela thunderlady . e só apareço aqui assim, porque a rapunzel diz que é a minha spitting image : um cachecol ou lenço, a máquina sempre por perto. e os livros (conheço pelo menos uma pessoa que acharia que o mundo estava a acabar se eu não tivesse um livro) perguntam vocês? lembram-se de falar não há muito tempo de embrulhos de cantos muito regulares que deixavam adivinhar o que continham? ah pois. hoje já recebi o primeiro. e inesperado. [thanks ;)]. se a imagem pudesse falar desejar-vos-ia felicidade. hoje, amanhã, no natal, no próximo ano. como não pode, desejo-vos eu por escrito :)