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futil.idades

dizes que tens de começar a ter cuidado quando me perguntas detalhes sobre determinada situação do dia anterior e eu te respondo com uma fiel descrição da apresentação de x e das palavras comprometedoras de y mas surpreendes-me ao dizeres com toda a convicção que gosto de castanho, de cachecóis e que o meu verniz na quarta-feira tinha uma falha na unha do indicador da mão direita. e eu que sempre pensei que os homens não reparassem tanto nisso, mas à cautela mantive o dedo bem escondido na manga do casaco, just in case. estando habituada a ser a parte observadora de qualquer diálogo sinto-me por momentos debaixo de um microscópio. tenho de ter cuidado, sou eu que penso desta vez. acabas a conversa a fazer-me confidências as quais esperas que se mantenham secretas e dizes que só as fazes porque confias em mim. coro e agradeço-te a confiança. mas só consigo pensar que tenho de ter as unhas bem pintadas da próxima vez que estiver contigo.

Comentários

Anónimo disse…
Ui, ui...
Brida disse…
M(enina), só vaidade feminina....:P
Anónimo disse…
Vaidade essa que fica nos píncaros em certas alturas.... :P
Brida disse…
hum...são alturas engraçaditas, temos de admitir :P
bf disse…
Esta miúda escreve mesmo bem!
E é minha amiga!!!!
Rapunzel disse…
sim sim, mas pra vir tomar o pequeno-almoço ao Starbucks...não é xôr bf??????????

P.S.: Qto ao post, é preciso assobiar ou não?
Brida disse…
@bf: a segunda parte sem sombra de dúvida. a primeira...:)

oh rapunzela, se eu disser que não tu assobias na mesma :P então assobia lá que sempre fazes coro com os "ui, ui" da M :P
Anónimo disse…
ahahahahhaha eu alinho!!!

ui ui!!!! :P :P :P

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as palavras. (VII)

sozinha no [meu] sossego do quarto sinto as palavras a redemoinhar à minha volta. vou-as apanhando uma a uma, aconchegando-as em ramalhetes simples, o mais simples possível. chamam-me da sala, onde as palavras dos outros me fazem, por momentos, esquecer a ordem das minhas. pego na caneta e só consigo escrever [vazio]. ponho as minhas coisas debaixo do braço e a meio do corredor já as sinto [às palavras], em pézinhos de lã, a voltarem comigo [para mim].

chave.

procuro a chave do baú pelas gavetas da escrivaninha. sempre escondi as coisas que me resguardam nos sítios mais improváveis. tão incertos que nem eu própria lhes encontro o rasto. a calma transforma-se em ânsia. os dedos inquietos amarfanham, abrem, reviram, retorcem. encontro-a no meio de clips coloridos. tão habilmente escondida. ou tão banal(izada) como eles. clic. rodo-a no cadeado. desliza muito mais ligeira do que os meus sentidos. inspiro. das colunas sai a thunder road em repeat mode: you can hide 'neath your covers, and study your pain, make crosses from your lovers, throw roses in the rain . expiro. e abro a tampa. só queria guardar as coisas que me ficaram de ti. o primeiro batimento cardíaco precipitado. a primeira palavra surpreendida. a primeira nudez envergonhada. (as últimas já não me pertencem. as últimas não pertencem a ninguém). ali. num instante fico rodeada de sorrisos amarelecidos e palavras rasgadas. there were ghosts in the eyes, of all the boys you sent a...

feliz.na.vida[d].

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