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pre.liminares. (I)

abres a porta do restaurante para eu passar. afastas a cadeira ligeiramente, e voltas a encostá-la depois de me sentar. dás a volta à mesa e sentas-te à minha frente olhando-me pela primeira vez nos olhos. a ementa treme-te ligeiramente nas mãos (não sou só eu que estou nervosa?), mas quando me perguntas o que quero e fazes o pedido ao empregado já pareces seguro de ti como sempre. enquanto a comida não vem falamos daquilo que na brincadeira já tínhamos alinhavado como temas de conversa. trabalho. tempo. rubores. eu que sou mais calada fico por momentos quieta (eu não te avisei que isso poderia acontecer?) e tu fazes o que prometeste: ficas a olhar-me tempos infindos, até que não consigo senão soltar uma gargalhada e atirar-te com o guardanapo. sim, acho que foi uma boa maneira de quebrar o gelo...

Comentários

Anónimo disse…
ai ai... e é tão bom quando (finalmente?) deixamos quebrar o gelo... (assobios? :P)
Brida disse…
eu confesso que estava a ver qual das duas vinha assobiar primeiro....rapunzel...a M chegou primeiro a este...:P
MS disse…
também quero um jantar desses....já não me lembro do ultimo! (pelo menos do último que correu bem...)
Rapunzel disse…
não faz mal...eu não assobio! hj estou com tosse! cof cof...
bf disse…
Pois eu aposto que não haverá gelo!
Mas isso sou eu, que gosto de apostas altas!
vanita disse…
Boas festas também para ti ;)
A Coração disse…
Linda maneira de quebrar o gelo.
Marta disse…
Já te sigo à uns tempos...
Ando fascinada com o que escreves e finalmente decidi iniciar-me nestas lides...nunca sou capaz de escrever o que vai cá dentro.
E também já não me lembro de um jantar desses, com borboletas na barriga.

Beijo

Marta B.

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sozinha no [meu] sossego do quarto sinto as palavras a redemoinhar à minha volta. vou-as apanhando uma a uma, aconchegando-as em ramalhetes simples, o mais simples possível. chamam-me da sala, onde as palavras dos outros me fazem, por momentos, esquecer a ordem das minhas. pego na caneta e só consigo escrever [vazio]. ponho as minhas coisas debaixo do braço e a meio do corredor já as sinto [às palavras], em pézinhos de lã, a voltarem comigo [para mim].

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procuro a chave do baú pelas gavetas da escrivaninha. sempre escondi as coisas que me resguardam nos sítios mais improváveis. tão incertos que nem eu própria lhes encontro o rasto. a calma transforma-se em ânsia. os dedos inquietos amarfanham, abrem, reviram, retorcem. encontro-a no meio de clips coloridos. tão habilmente escondida. ou tão banal(izada) como eles. clic. rodo-a no cadeado. desliza muito mais ligeira do que os meus sentidos. inspiro. das colunas sai a thunder road em repeat mode: you can hide 'neath your covers, and study your pain, make crosses from your lovers, throw roses in the rain . expiro. e abro a tampa. só queria guardar as coisas que me ficaram de ti. o primeiro batimento cardíaco precipitado. a primeira palavra surpreendida. a primeira nudez envergonhada. (as últimas já não me pertencem. as últimas não pertencem a ninguém). ali. num instante fico rodeada de sorrisos amarelecidos e palavras rasgadas. there were ghosts in the eyes, of all the boys you sent a...

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