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conforto.

abro um dos livros que volto a trazer na carteira e dele cai uma folha para o chão. no topo esquerdo está escrito "sentimos o silêncio. e não nos incomoda...". e lembro-me pelas reticências que queria ter escrito mais. que queria ter explicado como o silêncio não intimida. não fica retido entre nós como um fantasma. que as palavras não são contidas. transpiramo-las naturalmente como gotas de suor. que por isso a sua ausência não é pesada. inspiramos e expiramos [n]as pausas delas.

despimo-nos de tudo. de segundas intenções. de temores. de máscaras. despimo-nos [um ao outro] pelas palavras.

e até quando nos despimos delas não nos sentimos nus.

Comentários

MS disse…
uma partilha dificil de encontrar.
paulotpires disse…
realmente, por vezes quando nos despimos, finalmente sentimos conforto, principalmente de muitos conceitos...
bj
tchi disse…
Quantas vezes nos dizemos mais no silêncio - pelas palavras transparentes que nos abraçam o caminho e nos abrem a alma - que nos faz ir mais longe, procurando cada vez mais a autenticidade de sermos.
A Coração disse…
é verdade. Sentimo-nos tão bem.
Anónimo disse…
E é tão bom quando o silêncio não incomoda...
Brida disse…
@MS
tão dificil que quando se encontra até as palavras para a descrever saem a custo...:) bj

@paulo
é pena que, como a MS disse, seja algo tão dificil de encontrar/acontecer... bj

@Tchi
tantas, mas tantas vezes. haja quem saiba ouvir(-nos). bj

@diana
sentimo-nos em casa :) bj

@M
é...e é tão bom quando reparas nisso pela primeira vez :) bj :)
Flier♀ disse…
Só para dizer que deixei um selinho no meu blog :)
O silêncio pode dizer tanta coisa...

:)

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as palavras. (VII)

sozinha no [meu] sossego do quarto sinto as palavras a redemoinhar à minha volta. vou-as apanhando uma a uma, aconchegando-as em ramalhetes simples, o mais simples possível. chamam-me da sala, onde as palavras dos outros me fazem, por momentos, esquecer a ordem das minhas. pego na caneta e só consigo escrever [vazio]. ponho as minhas coisas debaixo do braço e a meio do corredor já as sinto [às palavras], em pézinhos de lã, a voltarem comigo [para mim].

chave.

procuro a chave do baú pelas gavetas da escrivaninha. sempre escondi as coisas que me resguardam nos sítios mais improváveis. tão incertos que nem eu própria lhes encontro o rasto. a calma transforma-se em ânsia. os dedos inquietos amarfanham, abrem, reviram, retorcem. encontro-a no meio de clips coloridos. tão habilmente escondida. ou tão banal(izada) como eles. clic. rodo-a no cadeado. desliza muito mais ligeira do que os meus sentidos. inspiro. das colunas sai a thunder road em repeat mode: you can hide 'neath your covers, and study your pain, make crosses from your lovers, throw roses in the rain . expiro. e abro a tampa. só queria guardar as coisas que me ficaram de ti. o primeiro batimento cardíaco precipitado. a primeira palavra surpreendida. a primeira nudez envergonhada. (as últimas já não me pertencem. as últimas não pertencem a ninguém). ali. num instante fico rodeada de sorrisos amarelecidos e palavras rasgadas. there were ghosts in the eyes, of all the boys you sent a...

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